ABG - Associação Brasileira de Genitoscopia

Laudo Colposcópico

ROTEIRO PARA LAUDO COLPOSCÓPICO DO COLO, VAGINA E TRATAMENTO EXCISIONAL DO COLO UTERINO

A Associação Brasileira de PTGI e Colposcopia com o intuito de uniformizar a metodologia, e a documentação dos exames, propõe um laudo padronizado, a ser adotado em todo território nacional, pelos médicos que prestam serviços na área de patologia do trato genital inferior, propiciando segurança diagnóstica ao médico solicitante, proteção ao paciente e ao médico que executa o exame.

O laudo representa a documentação de um ato médico e se constitui numa consulta interpares. Como tal é um documento legal que serve para assessorar outro colega na interpretação e conduta, bem como para acompanhamento e seguimento das patologias do trato genital inferior. Serve também para orientar a própria paciente. Um laudo colposcópico deve ser conciso, claro e utilizar uma linguagem compreensível e de abrangência nacional e internacional.

Ele pode variar em função da atividade desenvolvida, sendo mais complexo nos serviços universitários e centros de diagnósticos onde os dados de anamnese e epidemiológicos têm maior relevância.

Um laudo deve reunir no mínimo os seguintes requisitos

CABEÇALHO

    • Dados da paciente:
  • Nome completo da(o) paciente
  • Data de nascimento
  • Número de Registro
    • Dados do exame:
  • Nome da clinica e/ou do profissional responsável pelo exame
  • Data do exame
  • Data da última menstruação
  • Médico solicitante
  • Indicação do exame

Sempre que possível devemos orientar os colegas quanto ao encaminhamento para colposcopia e/ou outros exames.

RELATÓRIO

    • AVALIAÇÃO DO COLO DO ÚTERO
  • Descrever a macroscopia do colo e os aspectos gerais (coloração da mucosa, aspecto do muco cervical, tipo de orifício externo, etc.).

    DESCRIÇÃO DA COLPOSCOPIA – COLO DO ÚTERO

  • Utilizar terminologia atualizada e recomendada (Rio 2011). Evitar termos e descrições obsoletas (p.ex. mácula rubra, colposcopia alargada, Zona iodo negativa muda e etc.). Diferente da Terminologia anterior, de Barcelona 2002, a nova Terminologia de 2011 descreve os achados colposcópicos para o colo uterino e para a vagina.
  • Laudar se a colposcopia é adequada ou inadequada. Se inadequada, especificar o motivo (sangramento, inflamação, etc.). Colocar em "observações" a necessidade de tratamento e da repetição do exame.
  • Especificar a visibilidade da junção escamocolunar: completamente visível, parcialmente visível e não visível bem como o Tipo de zona de transformação ( 1, 2 ou 3). ZT tipo 1 é completamente ectocervical e completamente visível, de pequena ou grande extensão. A ZT tipo 2 tem componente endocervical completamente visível e pode ter componente ectocervical de pequena ou grande extensão. A ZT tipo 3 tem componente endocervical que não é completamente visível e pode ter componente ectocervical de pequena ou grande extensão.
  • No Brasil é muito comum o uso da classificação da Junção escamo-colunar proposta por F. Victor Rodrigues* (anexo 2). No caso é aceitável sua utilização como um acréscimo à Terminologia usada. Definir a localização da JEC separadamente quando for distinta no lábio anterior e posterior. Para facilitar a compreensão do laudo, de preferência, a JEC deve ser descrita em localização ectocervical (ectopia), endocervical ou justa-orificial.
  • Descrever achados anormais: Os princípios gerais consistem em descrever a localização (dentro ou fora da ZT e a localização de acordo com a posição do relógio) e o tamanho da lesão (número de quadrantes do colo uterino envolvidos pela lesão; tamanho da lesão em porcentagem do colo uterino). Fazer referência às características dos epitélios após a aplicação do Acido acético a 3 ou 5%, os achados anormais são divididos em grau 1, grau 2 e não específicos:Grau 1 (menor): epitélio acetobranco fino, de borda irregular ou geográfica; mosaico fino; pontilhado fino. Grau 2 (maior): epitélio acetobranco denso, acetobranqueamento de aparecimento rápido, orifícios glandulares espessados; mosaico grosseiro; pontilhado grosseiro; margem demarcada; sinal da margem interna. Incluir achados anormais não específicos: leucoplasia (queratose, hiperqueratose); erosão; teste de Schiler (impregnação do lugol positiva/negativa).
  • Descrever a captação do Lugol (corado ou não corado) ou teste de Schiller (negativo ou positivo).

AVALIAÇÃO DA VAGINA

  • Descrever a macroscopia da vagina e os achados fisiológicos quando necessários e importantes (conteúdo vaginal, ETC)

DESCRIÇÃO DA COLPOSCOPIA – VAGINA

  • Utilizar terminologia atualizada e recomendada (Rio 2011). Evitar termos e descrições obsoletas (p.ex. mácula rubra, colposcopia alargada, Zona iodo negativa muda e etc.). Diferente da Terminologia anterior, de Barcelona 2002, a nova Terminologia de 2011 descreve os achados colposcópicos para o colo uterino e para a vagina.
  • Descrever se a colposcopia da vagina é adequada ou inadequada. Se inadequada, especificar o motivo (sangramento, inflamação, etc.).
  • Laudar se a colposcopia da vagina é adequada ou inadequada. Se inadequada, especificar o motivo (sangramento, inflamação, etc.). Colocar em "observações" a necessidade de tratamento e da repetição do exame.
  • Os princípios gerais consistem em descrever os achados anormais da vagina em: Terço superior/ 2 terços inferiores e anterior/posterior/lateral (direito ou esquerdo) Os achados anormais são divididos em grau 1, grau 2, suspeita de invasão e não específicos: Grau 1 (menor): epitélio acetobranco fino; mosaico fino; pontilhado fino. Grau 2 (maior): epitélio acetobranco denso; mosaico grosseiro; pontilhado grosseiro.
  • Descrever achados anormais não específicos: epitélio colunar (adenose); impregnação da lesão pela solução de lugol (teste de Schiller; iodo positivo ou negativo) e leucoplasia.
  • Descrever miscelânea da vagina: Erosão (traumática), condiloma, pólipo, cisto, endometriose, inflamação, estenose vaginal, zona de transformação congênita.

PROCEDIMENTOS COMPLEMENTARES

    • Biópsia:
  • Deve ser informado ao medico solicitante, sempre que possível e antes do exame, a possibilidade de realização de biópsia.
  • Na presença de alterações no exame, procurar incluir alguma frase de advertência, como p.ex.: "Sugere-se, a critério clínico, biópsia sob visualização colposcópica da área descrita", ou expressão equivalente.
  • Relatar local(is) da(s) biopsia(s), número de fragmentos e técnica utilizada (eletrocirurgia, bisturi rotativo, pinça saca-bocado, etc.) e se foram enviados para análise em frascos separados ou não.
  • Procurar oferecer o consentimento informado (Modelo anexo), nos casos necessários.

DESCRIÇÃO DO TRATAMENTO EXCISIONAL DO COLO UTERINO

A nova Terminologia de 2011 inclui a normatização para a descrição dos tipos de tratamento excisional do colo uterino. São considerados três tipos de excisão: tipo 1, tipo 2 e tipo 3, de acordo com os tipos de ZT. Quando a excisão é feita com cirurgia de alta frequência, na excisão tipo 1, a alça de tamanho 2 x 1,5 cm é apropriada. Na excisão tipo 2, em geral usa a alça de 2 x 2 cm ou maior e, na tipo 3, uma alça ainda maior é necessária.

As dimensões do espécime da excisão são descritas em:

  • Comprimento: corresponde à distância da margem distal/externa à margem proximal/interna.
  • Espessura: distância da margem estromal à superfície do espécime excisado.
  • Circunferência (opcional): perímetro do espécime excisado.

DOCUMENTAÇÃO ICONOGRÁFICA

Recomenda-se constar sempre no laudo. O tipo de documentação (gráfico, fotografia, vídeo e etc.) é opcional e depende da disponibilidade do ambulatório, do consultório ou do serviço.

CONCLUSÃO

  • Reflete a opinião do colposcopista baseado nos achados do exame realizado. Só deve ser conclusiva quando houver correlação positiva entre a colposcopia, a citopatologia e a histopatologia. Ao contrário deve ser "sugestivo de ..."
  • Sugerir o grau de significância das lesões Exemplos: "Exame dentro dos padrões da normalidade". "Sugestivo de lesão de baixo grau", "Sugestivo de lesão de alto grau" ... etc., conforme indicado na Terminologia IFCPC –Rio - 2011.
  • Não sugerir tratamento.

RECOMENDAÇÕES

  • Pode ser sugerido o tempo de realização de novo exame (p.ex. 06 meses /1 ano, etc.). No caso de paciente menopausada e que apresente atrofia é válido recomendar o próximo exame sob efeito estrogênico. Sugerir outras recomendações pertinentes.
  • Orientar para a necessidade de exame mais detalhado (sugerir vulvoscopia) na suspeita de alterações e/ou presença de sintomas clínicos e a mesma não foi solicitada.

OBSERVAÇÕES

Referir que o exame foi realizado seguindo a Terminologia da IFCPC – Rio 2011. Se possível adicioná-la ao laudo ou em impresso à parte.

DATA,  ASSINATURA E CARIMBO DO EXAMINADOR


ANEXO 1

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ANEXO 2

Localização da JEC  segundo  Victor Rodrigues

JEC   0 = exatamente no orifício externo (anatômico) do canal cervical

JEC +1 = pouco acima de JEC 0 , dentro do canal
JEC +2 = entre JEC +1 até a quarta parte da altura do canal
JEC +3 =entre JEC +2 e a metade da altura do canal
JEC +4 =na metade superior do canal cervical

JEC - 1 = pouco abaixo de JEC 0
JEC -2 =entre JEC –1 e a quarta parte da distância entre o orifício externo e o fundo de saco vaginal
JEC -3 =entre JEC –2 até a metade da distância entre o orifício externo e o fundo de saco vaginal
JEC -4 = de JEC –3 até o fundo de saco vaginal



ANEXO 3

TERMO DE CONSENTIMENTO INFORMADO
PARA PROCEDIMENTO CIRÚRGICO (exemplo)

Paciente ______________________________________________

Cédula de Identidade nº_________________________________
Órgão Exp: _________

  • O Dr. (a) ___________________________________ explicou-me  claramente, a proposta do procedimento cirúrgico, seus benefícios, riscos, complicações potenciais e alternativas do procedimento. Tive oportunidade de fazer perguntas e todas foram respondidas inteira e satisfatoriamente.
  • Autorizo o Dr.(a) ________________________________ a executar em mim ou na paciente pelo qual sou responsável o seguinte procedimento cirúrgico:_____________________________________ ou outros procedimentos que o mesmo considere necessários frente a situações imprevistas, que possam ocorrer e necessitem de cuidados diferentes daqueles inicialmente propostos.
  • Eu reconheço que nenhuma garantia me foi dada sobre resultados, mas que serão utilizados todos os recursos, medicamentos e equipamentos disponíveis no hospital, para ser alcançado e obtido o melhor resultado.
  • Eu confirmo que li e compreendi perfeitamente os itens acima, e que todos os espaços em branco foram preenchidos antes da minha assinatura. Eu anulei qualquer parágrafo ou palavra com os quais não estou de acordo.

Paciente ou Responsável.

____________________________________
(Assinatura)

____________________________________
(Nome em letra de forma)

Grau do parentesco do responsável: ________________________________

Testemunha: confirma que a assinatura é do paciente ou do responsável
____________________________ / _______________________________________
               (Assinatura)                                  (Nome em letra de forma)

Eu Dr.(a) ______________________________________ Certifico que expliquei o procedimento cirúrgico, os benefícios e alternativas do mesmo. Respondi satisfatoriamente todas as perguntas do paciente e acredito que ela ou seu responsável tenha tudo compreendido.

Data: _______/_______/_______ Horário: ______________

Assinatura: _____________________________ CRM: ______________________

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