ABG - Associação Brasileira de Genitoscopia

Boletins Informativos

 

Boletim Eletrônico Fevereiro 2008
2ª edição

DEVE-SE SUSPENDER O CONTRACEPTIVO HORMONAL NA MULHER COM HPV E/OU NEOPLASIA INTRA-EPITELIAL CERVICAL (NIC)?

A Organização Mundial de Saúde (OMS) destaca a recomendação de não modificar a prescrição ou o uso de contraceptivos orais (COs) em mulheres com HPV e/ou NIC. A possível associação causal entre COs e aumento do risco de câncer cervical surgir a partir de resultados prévios mostrando risco de câncer cervical de 2,8-4 vezes dependendo do tempo de uso do CO. No entanto, esta relação de causalidade é muito controversa, já que o número de cânceres cervicais que estão associados com o uso de CO é provavelmente muito pequeno. Além disso, a OMS lembra que a maioria dos casos de câncer cervical pode ser prevenida através de rastreamento. Também salienta que o risco associado com a gravidez indesejada pode exceder o risco do câncer cervical para a maioria das mulheres. 

 

Fonte: http://www.who.int/reproductive-health/family_planning/safety.htm, acessado em Fevereiro de 2008.

O USO DE PÍLULA ANTICONCEPCIONAL FACILITA A RECORRÊNCIA DE LESÕES HPV-INDUZIDAS?

Estudo comparativo entre 650 mulheres usuárias de contraceptivos orais (CO) com lesões por HPV e/ou NIC e 670 mulheres controles com essas lesões mas não-usuárias de CO mostrou que o uso de CO não aumentou a taxa de recorrência de lesões por HPV e/ou NIC após tratamento ablativo ou cirúrgico. Essas mulheres foram seguidas por 5 anos e a taxa de recorrência das lesões foi semelhante nos dois grupos (10,4% em usuárias de CO e 10,9% em não usuárias de CO). Diante dos resultados, os autores destacam que não está indicado suspender o uso de CO antes ou após o tratamento das lesões por HPV e/ou NIC e que a continuação do uso de CO poderá aumentar a aderência ao tratamento e seguimento.


Fonte: Frega A, Scardamaglia P, Piazze J, et al. Oral contraceptives and clinical recurrence of human papillomavirus lesions and cervical intraepithelial neoplasia following treatment. Int J Gynecol Obstet 2008;100:175–178.

ERRADICAÇÃO DO HPV APÓS TRATAMENTO DE LESÕES PRECURSORAS DO COLO UTERINO

Neste estudo, Dr Aerssens e colaboradores acompanharam 55 mulheres com NIC 1 e 67 mulheres com NIC 2-3 que foram tratadas por crioterapia e exérese da zona de transformação (CAF), respectivamente, durante 2 anos, para analisar a taxa de eliminação do HPV após o tratamento. Os resultados do estudo mostraram que os dois tratamentos são métodos altamente efetivos em erradicar o HPV. A presença do HPV diminuiu pronunciadamente logo após o tratamento em ambos os grupos. Esta eliminação continuou com o tempo, sendo que as taxas de detecção do HPV foram similares para os dois grupos em todos os períodos de avaliação (43,9%, 37,6%, 29,9% e 17,7% no grupo de crioterapia e 24,9%, 20,3%, 15,3% e 8,4% no grupo CAF em 6 semanas, 6 meses, 1 ano e 2 anos, respectivamente).


Fonte: Aerssens A, Claeys P, Garcia A, et al. Natural history and clearance of HPV after treatment of precancerous cervical lesions. Histopathology 2008;52:381–6.

AS MULHERES SE MANTÊM ADERENTES AO SEGUIMENTO APÓS PROCEDIMENTO DE CONIZAÇÃO?

A aderência ao seguimento é maior após conização a frio que após exérese da zona de transformação (CAF). Este foi o achado de estudo retrospectivo realizado em 135 mulheres que foram tratadas por lesões de baixo e alto grau, com tempo de acompanhamento de 1 ano. A aderência ao seguimento foi de 74,1% para as mulheres submetidas à conização a frio e de 43,2% para as mulheres submetidas à CAF. Os autores comentam que como a CAF é procedimento menos invasivo pode expressar às mulheres idéia de que sua condição é menos grave e, assim, a aderência durante o seguimento é menor.


Fonte: Greenspan DL, Faubion M, Coonrod DV, et al. Compliance After Loop Electrosurgical Excision Procedure or Cold Knife Cone Biopsy. Obstet Gynecol 2007;110:675–80.

HÁ RISCO DE PARTO PRÉ-TERMO APÓS CONIZAÇÃO?

Mulheres com intervalo de tempo curto entre a conização e gravidez tem risco aumentado de parto pré-termo. Este achado foi de estudo que analisou 114 mulheres submetidas à conização a frio ou exérese da zona de transformação (CAF) e que engravidaram após o procedimento. Entre as mulheres que foram submetidas à conização, aquelas com parto pré-termo subseqüente tiveram intervalo mais curto entre a conização e a gravidez que aquelas mulheres com parto a termo subseqüente (tempo médio da conização à concepção de 2,5 meses vs 10,5 meses, respectivamente). Desta forma, as mulheres em idade reprodutiva que são submetidas a procedimento de conização devem ser aconselhadas que conceber dentro de 2 a 3 meses do procedimento pode estar associado com risco aumentado de parto pré-termo.

Fonte: Himes KP, Simhan HN. Time From Cervical Conization to Pregnancy and Preterm Birth. Obstet Gynecol 2007;109:314–9.

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